A Epifania do Senhor: Luz para Todos os Povos

5 janeiro 2026

Janeiro é o mês do recomeço. O calendário vira, os dias se renovam, e somos convidados a olhar para frente com esperança. Para nós cristãos, esse tempo não é apenas uma oportunidade de traçar metas e fazer promessas: é um chamado à conversão, à escuta de Deus e à vivência mais profunda da fé.

O tempo é um dos maiores dons que Deus nos concede. Cada segundo é uma oportunidade de amar, servir, crescer e se aproximar do Senhor. No entanto, muitas vezes vivemos como se o tempo fosse infinito, adiando decisões importantes, negligenciando relacionamentos e esquecendo que “o hoje” é tudo o que temos.

Por isso, Janeiro, por excelência traz a proposta de mudanças de   renovação em nossa vida espiritual. Após as festas de fim de ano, é comum sentirmos um certo vazio ou cansaço. Mas Deus nos chama a recomeçar com Ele. A Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (1º de Janeiro), nos lembra que o ano começa sob o olhar materno da Virgem Maria, que nos conduz a Jesus.

Logo depois, somos convidados a contemplar com profundidade o mistério da Epifania do Senhor, uma das celebrações mais ricas e universais da nossa fé cristã. A palavra “Epifania” vem do grego epiphaneia, que significa “manifestação” ou “revelação”. Jesus Cristo se manifesta como luz para todas as nações, como Salvador não apenas de Israel, mas de toda a humanidade.

A Solenidade da Epifania encerra o Tempo do Natal. Enquanto o nascimento de Jesus foi revelado aos pastores — representantes dos humildes e marginalizados de Israel — a Epifania marca a visita dos Magos do Oriente, que representam os povos gentios, os estrangeiros, os buscadores da verdade. Eles vêm guiados por uma estrela, símbolo da luz divina que brilha nas trevas e conduz os corações sinceros até o Salvador.

Este encontro entre os Magos e o Menino Jesus é profundamente simbólico: é o cumprimento das profecias que anunciavam que todas as nações viriam adorar o Messias (Is 2,2-3. 11,10. 60,3;  Zc 14,16). É a confirmação de que o amor de Deus não conhece fronteiras, que o Cristo é universal, que a salvação é oferecida a todos.

Quem eram esses Magos? A tradição os chama de reis, e lhes atribui nomes: Gaspar, Melchior e Baltasar. Mais do que reis, eram sábios, estudiosos dos astros, homens que buscavam sentido para a existência. Eles representam todos os que são tocados pela graça e se põem a caminho.

O que os move? Uma estrela. Um sinal no céu. Deus fala também através da criação, e os corações atentos percebem. Eles não se contentam com o conforto de suas terras; enfrentam perigos, atravessam desertos, perguntam, erram, recomeçam. São peregrinos da fé. E quando finalmente encontram o Menino, não hesitam: prostram-se e O adoram.

Os presentes que os Magos oferecem — ouro, incenso e mirra — são cheios de significado:

Ouro: símbolo da realeza. Jesus é Rei, mas não como os reis deste mundo. Seu trono é a cruz, seu cetro é o amor.
Incenso: símbolo da divindade. Jesus é Deus, digno de adoração.
Mirra: símbolo do sofrimento. Jesus é homem, destinado a sofrer por nós.

Esses presentes revelam quem é Jesus: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Rei e Servo, Salvador e Sacrifício.

Celebrar a Epifania é mais do que recordar um evento do passado. É reconhecer que Deus continua se manifestando. A estrela ainda brilha. Os sinais ainda são dados. Mas é preciso ter olhos atentos e coração disponível.

Muitas vezes Deus se revela nas pequenas coisas: na beleza da natureza, na Palavra proclamada, na Eucaristia celebrada. A Epifania nos convida a sermos como os Magos: buscadores da verdade, adoradores do Mistério, generosos em nossa entrega.

A Epifania também nos ensina sobre conversão. Os Magos, depois de encontrarem Jesus, voltam por outro caminho. Isso não é apenas geográfico — é espiritual. Quem encontra o Cristo não pode seguir vivendo da mesma forma. A luz que brilha transforma, ilumina, purifica. A Epifania é convite à mudança, à renovação, à abertura ao novo.

Deixemo-nos guiar pela estrela da fé. Que possamos reconhecer os sinais de Deus em nossa vida, adorá-Lo com sinceridade, oferecer-Lhe o ouro do nosso amor, o incenso da nossa oração e a mirra dos nossos sofrimentos.

Que a luz de Cristo brilhe em nós e nos torne também manifestações do amor de Deus no mundo. Que sejamos estrelas que conduzem outros ao Salvador. E que, como os Magos, nunca deixemos de buscar, de caminhar, e de ser corações adoradores.

 

Desejo a todos um 2026 de bençãos, paz e prosperidade!

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